Pesquisadores fazem descoberta na capela da fazenda São Pedro em São José do Egito

Por Aldo Branquinho – Sociólogo, Pesquisador e Membro-Fundador do CPDoc - PAJEÚ
Popr Hesdras Souto – Sociólogo, Pesquisador e Membro-Fundador do CPDoc - PAJEÚ

Pesquisadores do Centro de Pesquisa e Documentação do Pajeú (CPDoc-Pajeú) costumam realizar visitas-técnicas a localidades (sítios, fazendas, povoados), para fazerem levantamentos e colherem dados históricos. Na quinta-feira passada, dia 14, a equipe de pesquisa visitou a Fazenda São Pedro, zona rural de São José do Egito (PE). Reuniu-se com os proprietários do local, o Senhor Romero Dantas e sua esposa Dona Ana Maria, para tratar de assuntos relativos à preservação histórica e ecológica do local, que abriga, além de um vulcão inativo e pinturas rupestres, uma das capelas mais antigas do sertão de Pernambuco, erigida por volta de 1720, pelo Sesmeiro Custódio Alves Martins, como informou o genealogista Borges da Fonseca (1935), que empreendeu entradas para afugentar nações indígenas e destruir aldeiamentos de africanos aquilombados na ribeira do Pajeú, na década de 1690(1), tendo requerido sesmaria na região do Alto Pajeú no ano de 1695(2).  
Os proprietários têm uma forte sensibilidade externada no desejo de preservação do local, tanto no que se refere à questão histórica quanto no que tange à questão ambiental. Ambos cogitam a criação de uma Eco-Pousada nas dependências da fazenda, para receber pessoas atraídas pelos bens histórico-culturais guardados no local e que queiram vivenciar momentos da vida no campo em contato intenso com a natureza.
Após uma manhã de conversas na Fazenda São Pedro, parte dos pesquisadores dirigiu-se à Capela para acompanhar uma iniciativa de restauro que está ocorrendo no local e registrar, através de fotografias, algumas etapas do processo. Quando as fotos foram analisadas minuciosamente descobriu-se que o Sino da Capela de São Pedro foi fundido em 1778 por Manoel de Oliveira, com grande a riqueza de detalhes, inclusive com uma efígie de São Pedro, o que denota que tenha sido feito sob encomenda e confirmar a antiguidade da Capela. Ainda não se sabe se o fundidor era brasileiro ou português, nem sua origem social. O fato é que para se chegar a essas informações a equipe demandará um maior esforço de pesquisa, o que resultará, provavelmente, em novas descobertas sobre a história do Pajeú.
O Sino, de 243 anos, passará por um processo de limpeza com todos os cuidados necessários para voltar ao brilho original. Essa matéria faz parte de uma série de reportagens sobre a história da Fazenda São Pedro e do Pajeú.
 Estiveram presentes na reunião os membros do CPdoc-Pajeú e convidados, a saber: O professor Aldo Branquinho, o ator e roteirista Flávio Rocha, o pesquisador e youtuber Manoel Bezerra Filho (Jair Som), o presidente do CPDoc-Pajeú Hesdras Souto, o professor Rafael Moraes e o historiador Mateus Rafael. 

Referências Bibliográficas

BORGES DA FONSECA, Antônio José Vitoriano. Nobiliarchia Pernambucana, vol 1. In: BRASIL. Annaes da Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro, volume XLVII (1925). Rio de Janeiro: 1935.

Notas:

1- Auto de serviço do sargento-mor Custódio Alves Martins que andou fazer o Ouvidor Geral da Capitania de Pernambuco, José de Lima Castro. Documento Manuscrito Avulso da Capitania de Pernambuco, nº 2546 do Arquivo do Conselho Ultramarino - AHU_ACL_CU_015, Cx. 28, D. 2546.
2- PERNAMBUCO. BIBLIOTECA PÚBLICA DE PERNAMBUCO (BPE). Documentação Histórica Pernambucana (Sesmarias). Vols. I, II e IV. Recife: Secretaria de Educação e Cultura, 1954.











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