Frente com Ciro e Marina quer encarnar o antipetismo e o antibolsonarismo

Uma frente ampla, de centro-esquerda, contra o presidente Jair Bolsonaro – mas sem o PT. Os ex-presidenciáveis Ciro Gomes (PDT-CE) e Marina Siva (Rede-AC) estão em franca conversa e empenhados na atração de lideranças de legendas, algumas que estiveram no governo petista, mas que têm em comum, agora, a crítica ao partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nem que seja a cotidiana e resistente reclamação sobre o protagonismo que o PT teve nos últimos anos no campo progressista.

A aposta é no fato de que o antipetismo e o antibolsonarismo são sentimentos fortes e já consolidados na sociedade brasileira. O alvo é o voto do eleitor que diz: “Eu não gosto do Bolsonaro, mas também não quero PT de volta”. “Essa frente surge a favor do Brasil”, diz Ciro Gomes.

Lula, nas redes sociais, já deixou claro que jogou a toalha no sentido de tentar uma reaproximação com Ciro e Marina. Em recente postagem, cravou: “A Marina escolheu outro caminho. Que Deus a abençoe. O Ciro decidiu que quer o voto de quem odeia o PT. Que vá com Deus. Se for possível construir um projeto pra reconquistar a democracia, tamo junto. Mas na eleição cada um vai tocar seu projeto”, disse o ex-presidente.

Ciro, ao Metropoles, disse que “com o lulopetismo corrompido” ele “não andará junto nunca mais”. “O Lula não está bem. Estamos vivendo a maior crise de saúde pública de nossa história e nossa economia está sendo devastada. Ajudar a resolver isso é nossa primeira prioridade. Pensar em eleições só atrapalha neste momento. Mas é o que está na cabeça dele e do Bolsonaro. E nosso povo está sofrendo. Mas está claro que com essa parte do lulopetismo corrompido não andarei junto nunca mais”, disse Ciro, que tem defendido a tese de que os governos petistas fizeram muito mal ao país, a ponto de jogar o Brasil “no colo” de Bolsonaro.

Marina corrobora a visão de Ciro e ressuscita a cobrança de um pedido de desculpas do PT pelos erros no governo. “O PT já se excluiu de qualquer debate com o campo democrático progressista, porque não faz autocrítica dos erros cometidos. Quem não faz autocrítica dos gravíssimos erros éticos está disposto a continuar com as mesmas práticas e atitudes”, disse, ao Metrópoles, em recente entrevista.

Impeachment

Nesse contexto, pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro apresentados à Câmara dos Deputados marcam bem a atual divisão no campo da esquerda no Brasil. De um lado, o PT, o PSol e o PCdoB, apoiados por mais de 400 entidades. De outro, Rede, PDT e PSB. (Metropoles)

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