Na zona de conforto ou desconforto?

14 novembro Grupo Roma Conteúdos 1 Comentários


As nossas alegrias ou dores podem ter explicações em um passado próximo ou remoto que muitas vezes, não percebemos.

A grande dificuldade é que vivemos sempre com o olhar no retrovisor, porém com ele virado para a posição mais confortável.

Temos medo de descobrir o que nos incomoda e perder a razão que nos proporciona o “falso conforto”, por isso nunca aceitamos conversar sobre algumas dores, pois precisamos deixá-las sempre blindadas, considerando que não falo aqui de dores físicas.

Precisamos nesta caminhada entender o que é alegria e euforia. Alegria é um sentimento de contentamento, de satisfação, de prazer, enquanto euforia é considerado é “apenas um estado de bem-estar físico ou emocional” é momentâneo.

Se pararmos para refletir determinados conceitos e olhar para nossas emoções, prazeres e dificuldades, podemos melhor compreender os nossos sentimentos de alegria ou euforia.

E o que isso tem a ver com o nosso dia-a-dia? As nossas carências ou excesso refletem diretamente nas nossas atitudes no cotidiano, mas para que o nosso retrovisor funcione, precisamos de uma pausa e de abertura para consigo mesmo.

E quando falamos que os nossos sentimentos podem ter explicações no passado, precisamos refletir, “não para mudar”, mas para entender por que estamos convivendo com determinadas situações indesejadas.

Existe um dito popular onde se fala que “colhemos o que plantamos”, mas isso não serve para nós, só para as pessoas que vivem ao nosso redor, é isso?

Quando falamos das nossas carências, nunca temos culpa, a culpa é sempre do outro. Não recebemos um abraço, um carinho, mas quantas vezes abraçamos o outro?

Aí vem a importância do retrovisor, muitas vezes estamos presos a um passado que não nos dá esta liberdade.

Olhando para nossa árvore genealógica, sem ter a pretensão de nos justificarmos, mas na busca de um olhar diferente para nossas emoções, podemos identificar razões para os nossos descontentamentos e/ou satisfações.

As nossas dificuldades afetivas, podem estar relacionadas com a nossa árvore genealógica, onde temos os escravocratas que viviam de dar ordens e serem obedecidos.

Para nossa geração, comecemo-nos perguntando: Como era a nossa relação com os nossos pais? Abraços, carinhos, afagos? “Lembrando que isso não justifica o seu presente”, pois a nossa realidade hoje é diferente.

E os avós? Eram escravocratas? Lembrando que estes não são apenas os que compravam escravos, mas aquelas arrogantes, prepotentes, que sentiam prazer em dar ordens e humilhar pessoas.

E porque cultivamos a mesma cultura, se nos encontramos em outros tempos com outras pessoas?

Precisamos crescer espiritualmente, perceber que os escravocratas já se foram, e que possivelmente a única herança que nos deixaram foram estas, e nos perguntar:

Se não quero ser escravo, porque insisto tanto em dar ordens, podar sonhos e aprisionar esperanças de pessoas que digo que amo?

Muitas vezes, dizemos que pregamos a humildade, mas na verdade o que estamos buscando são pessoas que se humilhem diante de nós.

Humildade significa simplicidade, modéstia, reconhecimento das próprias limitações, nada tem a ver com arrogância ou espírito de dominação, limitação ou aprisionamento.

Precisamos refletir sobre as nossas origens e atitudes, pois elas quando insensatas não machucam apenas a nós, mas a todos que estão a nossa volta, e a água suja que respinga sobre os nossos corpos têm o perfume que exala do espírito de arrogância.

Não procuremos culpados, mas sim, busquemos refletir sobre as nossas atitudes antes de atirar a primeira pedra.

Por Tarcízio Leite

Um comentário:

  1. A nossa caminhada evolutiva nos coloca na posição que nos esforçamos para estar,colhendo o que plantamos. Observemos os nossos passos e sigamos os exemplos de quem por aqui passou e soube "aproveitar" a vida.

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