Idoso é picado por jararaca e a leva ao hospital. Biólogo não recomenda

13 junho Grupo Roma Conteúdos 0 Comentários


A imagem de um idoso carregando uma jararaca na recepção de um hospital viralizou nas redes sociais. Ele teria sido picado na panturrilha pela cobra e a levou viva, segurando pelas mãos, ao local para que o médico a identificasse. O caso ocorreu no Hospital de Urgência e Emergência Regional (Heuro), na cidade de Cacoal, em Rondônia.

Levar o animal vivo ao hospital pode realmente ajudar no tratamento da vítima, no entanto, o biólogo Giuseppe Puorto, diretor do Museu do Butantan, em São Paulo, ressalta que a forma como o bicho foi conduzido não está correta e não é recomendada.

"Você pode até levar a cobra para o hospital, mas nunca na mão. O correto é colocá-la em uma caixa de madeira e fechá-la com pregos. Vale lembrar de fazer um furo de 1 mm para garantir a vetilação", afirma.

Segundo ele, uma foto do animal também pode ser útil, desde que seja de boa qualidade. "Muitas vezes, pela qualidade da foto acaba não ajudando. Lembrando que o médico não tem obrigação de conhecer o animal. Quem conhece as espécies é o biólogo. O médico estabelece o tratamento de acordo com os sintomas. É por meio dos sintomas que ele pode descobrir a que grupo o animal pertence", explica.

Quatro grupos de serpente no Brasil podem provocar picadas com envenenamento, segundo o biólogo. Um deles é o grupo da jararaca. Sua picada produz dor local, inflamação e hemorragia. "O sangramento pode ser em qualquer lugar do corpo, mas geralmente ocorre no local em que foi picado, na gengiva ou onde há um trauma", diz.

O outro grupo é o da cascavél. A picada não causa dor. O primeiro sintoma são pálpebras caídas. "Fica com a aparência de quem bebeu", descreve o biólogo. Outros sintomas são diminuição do fluxo urinário e urina escura. "Provoca um comprometimento renal", completa.

O terceiro grupo é o da coral. As sensações iniciais se assemelham à da picada do grupo da cascavél, ou seja, não há dor local e as pálpebras caem. No entanto, causa dificuldade respiratória.

Por fim, o quarto grupo é da surucucu. O acidente com serpentes desse grupo resulta nos mesmos sintomas do grupo da jararaca com o acréscimo de vômito e diarreia.

O Brasil tem cerca de 30 mil acidentes com cobras por ano, sendo que 0,4% morrem, o que equivale a 150 pessoas, de acordo com Puorto. "A jararaca é a cobra que mais causa acidente em território nacional porque é mais abundante e está em todo tipo de vegetação", explica. O avanço da cidade em áreas verdes também está entre os fatores que favorecem essa incidência.

Ele destaca que os principais fatores que levam uma pessoa que foi picada à morte é a demora no atendimento médico correto e a procura por tratamentos alternativos. "A vítima deve ser atendida nas primeiras seis horas. Se for atendida após esse período, as consequências do veneno podem ser maiores", explica.

No caso de enveneamento, o tratamento adequado é o uso de soro antiofídico, que neutraliza o veneno da cobra circulante no corpo. Segundo ele, metade das cidades paulistas tem o soro. "Quando não há, o paciente é transferido para outra cidade que tenha", diz.

Há também casos de acidente com cobra sem envenenamento, a chamada picada seca. "Sente apenas uma agulhada. Ocorre quando a pessoa é picada por uma cobra não peçonhenta", diz.

No clima frio, os acidentes com cobras tendem a diminuir, segundo o biólogo. Ele explica que, como o animal regula sua temperatura por meio do ambiente, nessa época do ano, costuma ficar mais escondido. (R7)

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