A Festa Universitária em São José do Egito – PE

25 julho Grupo Roma Conteúdos 0 Comentários


Tarcízio Leite/ Foto: Marcello Patriota - Falar da origem da festa universitária é falar da luta pela Democracia, pela união de classes e da cultura deste sertão pajeuzeiro, como dizia Zé Marcolino.

Falar da Festa Universitária é lembrar Otoni Rodrigues, que esteve presente a esta festa por muitos anos, com as cirandas e brincadeiras infantis.

De seus fundadores, como Zé Augusto, Antônio José de Lima, Gilberto Rodrigues, Olga Brandão e tantos outros estudantes que na época encontravam-se em Recife lutando para estudar

É reviver a história dos Bacamarteiros, do Boi de Severo, da Banda de Pífano de Riacho do Meio, das Exposições de artes, das palestras e conferências no salão paroquial da Igreja São José,

É contar a história do Teatro Skulacho apresentado no Cinema de seu Chico Silva através de Ednaldo Leite, hoje odontólogo, do saudoso Flávio Lira e Luisinho Gomes, dentre outros personagens desta história,

É contar a história da Boite Universitária que acontecia da abertura da festa até quinta-feira no Bambuzinho com os artistas da terra que na maioria das vezes, tinham como cachê o apurado da portaria.

Dos bailes no clube hotel que aconteciam na sexta-feira e no sábado, onde a Associação Cultural arrecadava recursos para bancar a Festa que ia da Terça-feira ao domingo com atrações de manhã, a tarde e a noite, uma vez que não tinha apoio do poder público municipal, tendo como parceiro oficial apenas a Pitu.

É lembrar de Lourival Batista, Jó Patriota, Ismael Pereira, dentre outros cantadores que sempre se fizeram presentes na Abertura da Festa Universitária, além de Zeto e outros artistas.

Não podemos esquecer dos grupos de danças, de capoeiras, das bandas de fanfarras que apresentavam-se na abertura dos jogos no Estádio Municipal Francisco Pereira.

Dos desfiles e apresentações que aconteciam na quadra do Ginásio São José e dos Festivais de violeiros na AABB local.

Tínhamos bandas famosa diferente de hoje, e tínhamos a cultura viva em praça pública apresentada pelos nossos artistas e pelos grupos que vinham de Recife, Campinha Grande, Serra Talhada e outras localidades que abrilhantavam a festa universitária.

Mais a Associação Cultural nunca foi só festa, e sim, também representava a luta por ideais.

Por isto sempre procurou trazer excelentes palestrantes, cursos de artesanatos e promoveu até mini-cursos pré-vestibulares.

Preocupada que os destinos dos nossos jovens que na época não tinha onde ficar em Recife para estudar, lutou e conseguiu a Casa de Estudante de São José do Egito em Recife.

Lutou pela Liberdade Democrática e pela União das Classes, introduzindo o homem do campo, através dos bacamarteiros, da banda de Pífano, das Jecanas na festa universitária, no meio dos estudantes, promovendo a socialização e o intercâmbio cultural.

Diferente da nossa época, que as despesas da Festa eram custeadas pela Associação Cultural, hoje a festa universitária tem o apoio do Governo Municipal, tanto na parte financeira como o apoio logístico, assim como de outras entidades e empresas.

Hoje a festa tem um caráter diferente, pois não poderia ser igual, até mesmo pelas mudanças de comportamento da sociedade e pelas mudanças de caráter político e social, onde os objetivos mudaram acompanhando as transformações políticas e sociais.

Porém não poderia ter perdido a sua essência, as suas características culturais, e de festa popular.

No entanto, nada mais existe de popular e cultural nesta festa, pois passou a ser uma festa, além de elitizada sem caráter cultural.

Precisamos relembrar o que foi a Associação cultural, o que foi a Festa Universitária e repensar o que sobrou, se é que ainda existe.

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