Coluna Tarcízio Leite: Educação, qual a visão do Poder Público?

05 março Grupo Roma Conteúdos 0 Comentários


Vivemos um momento muito confuso na área da educação em nosso país por falta de conhecimento e compromisso de parte da população e dos gestores públicos em relação a esta área.

Nos pequenos municípios continua a deseducação em função da falta de conhecimento das políticas públicas levando o cidadão apenas a reclamar nas redes sociais de forma equivocada, porém sem vontade e disposição de conhecer.

Os políticos aproveitam o desconhecimento e a falta de compromisso de parte da população para colocar em prática antigas formas da política partidária.

Gestores da educação, em sua maioria, não são escolhidos em função de conhecimentos e competências pedagógicos, porém de compromissos políticos, prova disso é que em muitas escolas, estes gestores não conhecem as necessidades da escola, pois limitam-se a sala de apoio, onde a sala de aula é um ambiente estranho.

Grande parte dos gestores das escolas não têm autonomia na gestão administrativa, ficando na dependência dos gestores da secretaria de educação, que depende do gestor municipal, e de assessores que, em sua maioria, não estão preocupados com a educação, porém com a política partidária, por total desconhecimento das políticas públicas.

Estes fatores fragilizam a educação, deixando as escolas sem material pedagógico, e recursos materiais de infraestrutura, sem pessoal disponível para trabalhar uma vez que, em sua maioria são apadrinhados políticos que não tem compromisso. Onde não existe critérios para distribuição, ficando repartições superlotadas e outras sem pessoal para atividades essenciais.

Onde profissionais com competência pedagógica e compromisso, muitas vezes são excluídos do processo sem qualquer explicação, pois a escolha é feita pela secretaria onde muitas vezes quem indicam são os assessores, como citados.

Para se ter ideia da falta de atenção, a dezoito anos observo o descaso com materiais que são de uso contínuo e primordial como as cadernetas escolares, onde os professores passam, muitas vezes, um semestre anotando frequências e atividades em cadernos para ao receber transcrever as anotações.

Reclamam entre eles ou aos Diretores das Escolas que não têm qualquer autonomia administrativa como citado, porém nas reuniões com os gestores que têm poder de decisão não colocam o assunto em pauta.

Em julho de 2007 foi assinado em São José do Egito o chamado “Pacto pela Educação”. Neste momento não estive presente, por que ocupava o cargo de Secretário Municipal de Finanças, e para grande parte da sociedade, Educação é para Professores e não para educador, assim como saúde é para médico e não para quem, também tenha interesse pela saúde.

Mas, mesmo assim eu já chamava a atenção, através de um texto que escrevi para se fazer uma reflexão sobre a educação na formação cidadã, onde estão implícitos o papel dos Pais, dos Professores e Gestores.

Entendo que é difícil se ter interesse pelo que não se conhece, assim como é difícil quem conhece ter o interesse de repassar, principalmente se estiver no cargo de gestor, porém entendo também que é necessário compromisso da sociedade e do governo com atividades onde todas as áreas de um governo comprometido com o desenvolvimento econômico e social de um povo devem fazer parte, a educação.

Para melhor análise desta relação que a educação tem com todas as áreas do governo, podemos estabelecer uma simples relação entre elas, onde:

Para que tenhamos eficiências nos gastos públicos dependemos da educação para formação de agentes de desenvolvimento das finanças públicas;

Para contratação de pessoal através das Secretarias de Administração, é necessário capacitação de profissionais, quando o intuito é a legalidade e justiça social;

A legalidade e justiça social, além da moral e da ética pode se constituir através de uma Procuradoria Jurídica com profissionais capacitados e livres para defesa da cidadania e não simplesmente do poder;

A Secretaria de Obras e Infraestrutura, responsável pelo ordenamento das vias públicas, da limpeza urbana que proporciona saúde preventiva, transforma a paisagem da cidade e promove a segurança e o desenvolvimento econômico e social através das edificações dentro da legalidade, não tem administração eficaz sem profissionais capacitados, éticos e com visão estruturadora;

A saúde, que tem um corporativismo em função da saúde curativa, poderia ser bem mais eficiente se pensada de forma socializada onde estivesse presente junto à educação, trabalhando a saúde preventiva. Precisamos analisar o que é saúde preventiva e obrigação legal, para não confundir mais uma vez a comunidade.

Muito embora todos os profissionais sejam oriundos da educação, o status que algumas profissões proporcionam a pessoas, fazem com elas esquecem de suas origens e passem a ignorar a sua missão, passando a cumprir tabelas quando têm a oportunidade de servir (característica do servidor público).

E o que podemos fazer para mudar esta realidade? Educar.

E como educar quando os valores estão ligados ao Poder Político, Econômico e ao Status?

Se queremos mudanças, precisamos assumir o nosso papel de cidadão dentro da sociedade, de forma prática e coerente conscientes de que as transformações sociais são frutos de mudanças de comportamentos que estão intimamente ligadas a mudanças de gerações.

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