Coluna Tarcízio Leite: maturidade no contexto social

27 fevereiro Grupo Roma Conteúdos 0 Comentários


Normalmente quando as pessoas querem dizer que alguém ainda não tem maturidade, elas dizem que esta pessoa é muito nova, não tem experiência, é muito ingênua, enfim que ainda não é capaz de tomar determinadas decisões.

Será que existe uma idade em que possamos afirmar que alguém ainda é imaturo ou que já tem maturidade suficiente para tomar as suas próprias decisões?

Dentro da minha concepção, não, maturidade é um processo constante de crescimento, de desenvolvimento do ser humano, que depende de vários fatores.

Mas para termos uma ideia mais clara sobre este processo, vamos fazer uma pequena análise.

Quando criança, “somos apenas filhos”, não temos a capacidade de nos doar e estamos prontos apenas para receber.

A criança quando esta com fome, ela pede comida, mas não tem a capacidade de entender que precisa esperar que seja preparada, ou que esta terminando de preparar ou de esfriar, e começa logo a chorar, por que? Por que ainda não estar preparada para compreender o processo.

Esta é uma das fases onde a presença e as tomadas de decisões dos pais é de grande importância em nossas vidas. A fase em que, os pais, precisam ter posturas decisivas para dizer o SIM e o NÃO no momento certo.

Depois vem a pré-adolescência, ou adolescência, onde na maioria dos casos, este jovem ainda não tem maturidade suficiente par entender que “O NÃO” dos pais não significa apenas reprimir a liberdade, mas na maioria das vezes significa preservar a integridade, não só física, mas também moral, social e até psicológica do jovem.

Mas esta maturidade ela demora um pouco mais para alcançarmos, muitas vezes só quando passamos a ter alguém sob a nossa responsabilidade ou até mesmo quando somos pai ou mãe.

Mas nesse período da juventude, onde já “somos irmãos, amigos”..., apesar de continuar recebendo, já começamos a nos doar. Já somos capazes de partilhar com os nossos pais, nossos colegas, enfim começamos a nos socializar.

E na fase adulta quando “somos pai, mãe, normalmente estamos prontos para nos doar, para nos dividir, partilhar, para colaborar com pessoas, com o meio, enfim com o social.

Podemos admitir que atingimos a maturidade quando a nossa vida não cabe mais em nós, ou seja, precisamos participar do contexto social e partilhar as nossas ações.

Por isto que, as tomadas de decisões dos nossos pais na nossa infância, tem uma importância marcante durante toda a nossa vida.

O amor que recebemos para que possamos retribuir e partilhar, assim como a postura, refletem diretamente na formação do nosso caráter e da nossa personalidade.

Tudo isto faz parte do processo de crescimento físico e psicológico do ser humano, que a partir de um determinado momento inicia o processo de tomada de decisão que passa a definir e traçar o futuro da sociedade.

É aí que entram as nossas decisões, sobre a sociedade que queremos formar e participar, e para isto precisamos de maturidade e poder de decisão.

Esta é uma reflexão que os jovens, nós pais precisamos fazer a cada dia, para entender que não precisamos de um mundo melhor, mas de pessoas melhores para o mundo.

Se precisamos de uma sociedade mais justa, mais humana e mais fraterna, precisamos de pessoas menos egoístas, e mais decididas, não simplesmente a dar, mas a doar-se, a partilhar.

E o que estamos fazendo? Estamos criando um relacionamento de confiança e respeito? Estamos dando limites para os nossos filhos? Estamos dando liberdade com responsabilidade? Existe uma relação de respeito dentro da família? Ou estamos esperando que a escola, que a sociedade lhes ofereça?

Precisamos refletir: como estamos ajudando aos nossos filhos a construir a sua maturidade? Como estamos preparando-os para o convívio social?

Tarcízio Leite
São José do Egito – PE

Recent Comments