Foto de homem abraçando cavalo durante chuva em Pernambuco viraliza na web

28 janeiro Grupo Roma Conteúdos 0 Comentários


Um carroceiro abraçando um cavalo em meio a uma forte chuva. Nas redes sociais, esta imagem já acumula mais de 20 mil curtidas e 11 mil compartilhamentos. O homem que aparece na foto, José Alcides da Silva, de 60 anos, conta o porquê do abraço: “Ele [o cavalo] ficou assustado com a chuva e eu tinha que proteger meu melhor amigo”.

A foto foi tirada pelo representante comercial Rodrigo Amorim. Ele visitava um cliente em Panelas, no Agreste de Pernambuco, quando se deparou com a imagem. “A chuva estava muito forte, o cavalo se agitou e ele simplesmente abraçou o animal. E ficou lá o tempo todo. Para mim, foi uma situação atípica. Peguei meu telefone e resolvi registrar. Foi uma média de 15 minutos de chuva”, detalhou.

Rodrigo ainda contou que todos que estavam no local se ampararam da chuva, menos “Seu Quelé”, como José Alcides é conhecido. “Foi muito bonito de ver. A gente vê muitos relatos de maus-tratos aos animais, e a opção que ele teve de abraçar o cavalo foi magnífico. Fez não somente meu dia diferente, mas a minha semana. E ele nem percebeu que eu tirei a foto”, disse.

No dia da chuva, o carroceiro tinha ido levar areia em uma construção e tirar uns entulhos do local. “Quando eu estava descarregando a areia, começou a chover. Fui logo para perto dele, abracei e fiquei dizendo: ‘Esse é o Pezinho de Pano que eu gosto dele. Deixa estiar pra gente descarregar a areia’. E eu gosto dele mesmo. Gosto mais dele do que da minha mulher”, brincou o idoso.

Élbia Soares é comerciante e trabalha no estabelecimento para onde José Alcides levou a areia. Para ela, o carroceiro é um ótimo profissional. “Todo mundo o conhece. Ele é uma pessoa muito querida em Panelas. Eu achei emocionante ele acalmando o cavalo durante a chuva”, afirmou.

José Alcides e a esposa, a aposentada Elza Josefa da Silva, de 57 anos, estão juntos há quatro décadas. Eles tiveram nove filhos. Destes, quatro morreram. Dos cinco filhos que eles criaram, apenas um mora com o casal.

“Antes eu trabalhava como agricultor, no sítio. Quando vim morar na cidade, comprei o meu cavalinho. Ele custou R$ 100 na época. Desde que comprei ele, comecei a trabalhar na carroça para sustentar a família. Ele me ajudou a criar meus filhos”, ressaltou o carroceiro.

Tanto “Seu Quelé” quanto a mulher dele são aposentados, mas o casal sempre ajuda os filhos. “Então, completo a renda com a carroça e o Pé de Pano. Tem semana que ganho R$ 150, R$ 200, tem semana que eu não ganho nada… E assim a gente vai”, completou.

Eu sinto muito orgulho do meu marido, ele sempre trabalhou muito. Antes da aposentadoria, a gente tirava todo o sustento desse cavalinho. Na seca, ele carregava água junto com Pé de Pano para trazer para casa. Todo mundo gosta do cavalo, ele já é da família. Até os vizinhos gostam dele. Uma vez Quelé vendeu o cavalo e fizemos ele desmanchar o negócio”, lembrou Elza.

Das tantas histórias que viveu ao lado do cavalo, José Alcides contou que uma vez o animal bateu em um carro, mas o motorista não cobrou nada. “As pessoas às vezes reclamam, mas eu digo que o Pé de Pano é de carne e osso, tem que ter calma”, explicou.

‘Aposentadoria’ do cavalo

Agora, José Alcides pensa em “aposentar” o companheiro de duas décadas. Ele está juntando dinheiro para comprar outro animal para trabalhar. Mas, quando isso acontecer, Pé de Pano vai continuar ao lado do dono. “Vou deixar ele descansando, comendo ração e capim, bem quietinho”, finalizou. (G1)

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