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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Violência contra a mulher ainda é uma realidade em Afogados da Ingazeira

Mais da metade das pessoas que moram em Afogados da Ingazeira são mulheres. Os números do Censo 2010 do IBGE apontam que elas somavam 18.298, de um universo de 35.088 habitantes. Como em grande parte do território nacional, elas são maioria em quantidade, mas, em certos aspectos, são minoria. São minoria por não terem, como os homens, seus direitos respeitados e assegurados. Uma realidade que, mais dia, menos dia, arde no espírito das mulheres do Pajeú como o sol cáustico do meio-dia.

As estatísticas não mentem. Entre janeiro e junho deste ano, foram contabilizados 83 casos de violência doméstica e familiar contra mulheres em Afogados da Ingazeira. No ano passado, foram 163. A curva ascendente é inclemente: 77 em 2012, 113 em 2013, 150 em 2014, 155 em 2015. Um sol que não dá para tapar com a peneira do conformismo e que exige uma reação à altura.

É contra as queimaduras desse sol que mulheres como Risoneide Lima e Fátima Silva lutam todo dia. Elas integram uma rede de organizações não-governamentais que batalham institucionalmente para quebrar esse ciclo de violência. Um ciclo que elas viveram na própria pele.

Risoneide faz parte do Fórum de Mulheres do Pajeú e também da ONG Diaconia – que trabalha para conscientizar mulheres cristãs sobre a violência que sofrem. “A mulher precisa unir forças e conhecimentos para sair dessa situação de violência. Não é fácil, mas é possível”, conta ela, que foi vítima de abuso em sua própria casa quando adolescente. Ela e a irmã. “Foi graças ao movimento de mulheres que conseguimos quebrar esse ciclo violento”, salienta ela.

Mas, como ela mesma lembra, a dificuldade foi imensa. “Fizemos a denúncia por meio do Ministério Público. Eu e minha irmã fomos questionadas pelo delegado da época por que fomos procurar o MP e não a delegacia comum. Mas a delegacia comum não têm a estrutura e formação adequadas para atender uma mulher vítima de violência. Acabou que fomos violentadas mais uma vez”, prossegue Risoneide, acrescentando que até mesmo diante do juiz foi vítima de questionamentos. “O juiz dizia que a pessoa que denunciamos não tinha cara de violenta, era bem-vista na sociedade. É a violência institucional contra a mulher”, destacou.

Casos como o de Risoneide são a prova, de acordo com Fátima Silva, de que Afogados da Ingazeira precisa de uma delegacia da mulher. E com urgência. “A delegacia daqui só tem homens. Eles não têm a sensibilidade necessária para atender mulheres vítimas de violência; Precisamos de uma estrutura adequada, uma delegada e todo o aparato”, justifica Fátima, uma das coordenadoras do Fórum de Mulheres de Pernambuco e do Grupo Mulher Maravilha.

A Delegacia da Mulher mais próxima de Afogados fica em Caruaru, a cerca de 260 km. No Sertão, há apenas uma, em Petrolina – a mais de 450 km de distância. Ao todo, são dez unidades no Estado. A Secretaria de Defesa Social informa que a implantação de uma delegacia do gênero se baseia nas estatísticas de incidências na região. (MPPE)

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