Fogo Pagô - causo e conto protagonizado por uma egipciense

26 julho Grupo Roma Conteúdos 0 Comentários


Beatriz Aragão foi professorinha primária por toda a sua vida. Aposentada, mora hoje na cidade de São José do Egito e é irmã de Antonio de Catarina, bebe umas caninhas, por que ninguém é de ferro, e sempre gostou de forró, para dar vazão à sua alma festeira.

Uma vez, chegando num lugarejo chamado Ponta Direita, perto do Bomfim, distrito de São José do Egito, estava havendo lá um autêntico forró de sala de reboco, com direito a sanfona de fole rasgado e batuque de melê.

O sanfoneiro, um dos piores da região, só conhecia uma música que se intitulava “Fogo Pagô”, grande sucesso do nosso cancioneiro regional, de um compositor chamado Rivaldo Serrano, gravada na época pelo inesquecível Luiz Gonzaga.

A música tratava da trágica morte pelas mãos assassinas de um menino malvado, de um tipo de rolinha que habita os pés-de-serra e que os sertanejos chamam de cascavel porque quando levanta vôo suas asas emitem um barulho igual ao guizo da temível serpente. Chamam também de Fogo-Pagô, por causa do seu canto triste.

Os versos diziam mais ou menos assim:

“Teve pena da rolinha
que o menino matou
mas depois que torrou a bichinha
e comeu com farinha, gostou…”

O sanfoneiro repetia sempre a mesma coisa pela noite à dentro, quando Beatriz, já impaciente, mandou parar a sanfona;

– Ô, meu amigo, quer dizer que se esse menino não tivesse matado esse passarinho, não ia ter forró aqui hoje? (Cariri Ligado)