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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Autossuficiência e comodidade: o paradoxo de uma sociedade!

Por Tarcízio Leite - Estamos vivendo uma crise institucional onde o povo encontra-se centrado nos escândalos que são divulgados pela impressa diariamente.

A classe política, aproveita-se da situação para fazer manobras administrativas desrespeitando as leis e os princípios básicos da administração pública.

O planejamento na administração pública, como sempre é relegado a segundo plano. 

As cidades escuras, tomadas pelo lixo; obras legalizadas sem o menor respeitos aos princípios básicos do código de postura das cidades; materiais de construção tomando conta das calçadas e vias públicas, são tidos como normais.

Obras, quando interditadas, basta apenas uma planta básica e alguns documentos que satisfaçam a legislação, pagando-se a taxa de Alvará de Construção, de imediato é liberada, sem qualquer observação à execução da obra que, ou não tem conformidade com a planta ou a planta não tem conformidade com o código de postura.

O povo embriagado pelos escândalos financeiros que cotidianamente são estampados pela imprensa, limita-se a dizer que o país não tem jeito, o que é mais do que conveniente para os gestores.

Reclama-se de tudo, mas ninguém quer se dar ao trabalho de tomar conhecimento dos fatos e procurar analisar as causas e os efeitos da crise institucional.

Com a falta de temor e pudor, os políticos continuam colocando a culpa na falta de recursos, mas não se dão ao luxo de elaborar um planejamento orçamentário e financeiro compatível com a realidade, por conveniência ou incompetência, não sei, e mais uma vez o povo paga a conta.

Só a título de exemplo, hoje podemos falar sobre a escuridão das cidades, da poluição visual definida pelos gestores como falta de recursos.

Mas vamos juntos analisar: Você sabia que todo município tem no seu orçamento uma verba chamada “Contribuição de Iluminação Pública”? Você sabe que um município com uma média entre 30.000 habitantes e 50.000 habitantes quanto recebe?

Então vejamos. Se você não sabe, um município deste porte recebe em média R$ 100.000,00 (cem mil reais) por mês. Muito pouco.

Mas se tiver um planejamento bem elaborado, poderá cuidar da paisagem da cidade com esse recurso.

Destes R$ 100.000,00 (cem mil reais) deverá ser retirado 25% para educação; 15% para saúde, o que corresponde a R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) para educação e R$ 15.000,00 (quinze mil reais) para saúde, somando-se R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) sobrando R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) para investimento e/ou outras despesas.

Em municípios deste porte, em sua maioria, conta-se uma média de 1.000 (mil) árvores. Se observarmos, a maior parte das áreas escuras são frutos de árvores frondosas que tira a luminosidade e visibilidade das áreas.

E o que vamos fazer? Cortar as árvores? Não! Devemos mantê-las podadas, só isto já proporciona uma paisagem agradável.

Então vamos lá. Para podar uma árvore, paga-se em média R$ 20,00 (vinte reais), o que significa que para se podar 1.000 (mil) árvores deve-se gastar R$ 20.000,00 (vinte mil reais).

Sabemos que não se poda e não há necessidade de se podar as 1.000 (mil) árvores em um mês, até por que, se estamos falando em planejamento, devemos também planejar para se podar uma determinada área por mês, de forma que a cidade se mantenha com a sua arborização bem cuidada e poda com regularidade.

Supondo-se que, de forma exagerada, se gaste R$ 10.000,00 (dez mil reais) por mês com poda de árvores, resta-se ainda R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).

Vamos colocar mais R$ 15.000,00 (quinze mil reais) por mês para aquisição de material e mão de obra para conservação da iluminação pública.

Temos ainda deste recurso R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais). Será que R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais) não é suficiente para locação de caçambas e pessoal para retirada do entulho da cidade? E porque falta manutenção na paisagem das cidades? Falta de planejamento por conveniência ou incompetência?

O que será mais fácil? Planejar ou reclamar? O que será mais fácil? Procurar conhecer, propor e acompanhar ou ficar a reclamar?

Precisamos mudar de postura enquanto cidadãos, procurar participar da política pública como instrumento de cidadania, lembrando que política partidária deverá ser tratada apenas em época de eleição e a política eleitoreira deverá ser apagada do nosso dicionário.

Pois ela só serve de instrumento para políticos que estão na posição de gestores, justificarem a sua incompetência pela falta de planejamento de políticas públicas para construção do desenvolvimento econômico e social.

Observem a nossa cidade, depois que foi iniciada a poda das árvores, como já se tornou mais clara, e como já mudou a sua paisagem.

Com esta pequena análise, podemos verificar que falta planejamento para os parcos recursos

Por isto, mais uma vez afirmo, precisamos mudar de postura enquanto cidadãos, deixar de nos julgar autossuficientes pela ignorância, e incompetentes pela submissão e/ou pela comodidade.

Está é a única forma de mudar a postura dos gestores ou até mesmo mudar os gestores sem compromisso social.

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