Rei do duplo sentido é de Afogados da Ingazeira

20 junho Grupo Roma Conteúdos 0 Comentários


Lá pelos anos 70 e 80, era comum se ouvir nas emissoras de rádio do Norte e Nordeste, canções de duplo sentido, com nomes e letras cheio de pitadas de humor. Milho cru, Gozar a vida, O gato da Rosinha, Picada de Barbeiro, Na lua vai ser assim, O modo de usar (Só capim, canela), A velha debaixo da cama e Vitamina D são alguns exemplos. Todas eternizadas na voz do cantor e sanfoneiro José Nilton Veras, que foi batizado pelo nome artístico Zenilton. O que muita gente não sabe é que Zenilton nasceu em Afogados da Ingazeira e foi criado em Salgueiro-PE.

Zenilton começou a tocar na adolescência em Salgueiro, nos forrós nos sítios da região. Aprendeu sanfona sozinho, no começo dos anos 50, ouvindo as músicas de Luiz Gonzaga.

Quando saiu do Sertão ainda jovem para tentar a sorte no "sul maravilha", a primeira parada foi o Rio de janeiro, por influência de amigos e das rádios. "Precisava de contatos com os nordestinos que já estavam lá como Zé Gonzaga, Marinêz e Luiz Gonzaga. Por intermédio deles fui entrando devagarinho. Mas a carreira se consolidou mesmo em São Paulo, onde morei por mais tempo, o resto foi pelo mundo a fora", diz Zenilton, que gravou 42 LPs, contabilizando cerca de 650 músicas, a maioria registrada pelos selos Copacabana, Chantecler e CBS.

No auge da carreira, quando rodava o Brasil, o cantor foi convidado até para mostrar seu talento na Venezuela. "O povo de lá é tudo doido por sanfona e xamego, pode juntar paraguaios, venezuelanos e argentinos pra ver a bagaceira", conta. Nessa fase, Zenilton já tinha feito shows em eventos ao lado de Ângela Maria (na inauguração do viaduto do Gasômetro, em São Paulo), Altemar Dutra, Vicente Celestino, Nelson Gonçalves, Adolfo Alves e Raul Gil. Segundo o artista, nesse tempo não era forró, como sempre batizavam. "Tinha baião, frevo, samba canção e até maracatu pernambucano dos bons", lembra.