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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Coluna Pensante: Valorização ou desvalorização da Cultura?

Por Tarcizio Leite - Os poderes constituídos sempre têm um órgão responsável pela promoção da cultura, seja uma Secretaria, um Diretoria de Cultura, dentre outros.

O que fica um pouco confuso é que os municípios para promoverem a sua cultura, se é que podemos falar nisto, além de recorrer a estes órgãos, precisam recorrer a Secretários de Agricultura, de Infraestrutura, que não têm qualquer relação com a cultura. 

Por que os órgãos que são criados para promoção da cultura, tipo Secretária ou Diretoria nunca têm poder de decisão?

Quem sabe o nome do Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, ou quem já viu ele na abertura de uma festa tipo a Festa de Reis em nossa cidade?

Parece mais que a cultura não é tratada como política pública, mas sim, como promoção política.

Outro ponto que nunca se esclarece é por que não existe um percentual da receita corrente liquida ou outro parâmetro para destinação de recursos para cultura.

Os recursos surgem de repente, de acordo com os interesses do momento, tomando como exemplo a promoção de uma festa de rua.

Será falta de planejamento do órgão responsável pela promoção cultural? Ou falta de poder de decisão?

Dentro destes questionamentos, fica ainda uma grande interrogação: 

Porque a cultura nunca é trabalhada buscando o engajamento de jovens em atividades que lhes promovam o desenvolvimento sociocultural?

Em nossa cidade, São José do Egito, por exemplo, apesar de ser considerada o berço imortal da poesia, onde temos grandes artistas, sempre busquei junto aos poderes público a criação de “Escola” de teatro, “Escola” de Futebol, “Escola” de poesia, de música, de danças, no entanto, para isto, pouco ou melhor nenhum interesse foi demonstrado uma vez que nunca existiu Escolas neste sentido, e nunca o tema foi se quer discutido.

O que sempre existiu foram grupos de teatros que acabaram no final da apresentação da peça, grupos de danças que também acabaram no encerramento da apresentação, times de futebol, priorizando atletas de outras localidades, que acabam no final da competição, sem contar com a falta de espaço para apresentações onde tenham visibilidade.

O que defendo em nome da Escola é a continuidade do projeto, mas isto nunca é discutido por que não é prioridade.

Para estes questionamentos nunca obtive respostas. Por isto continuo acreditando que, não só em São José do Egito, mas em outros municípios estas “Escolas” poderiam proporcionar o despertar pela cultura, pela educação, além da oportunidade gerada para crianças que ficam ociosas nas ruas, proporcionando o desenvolvimento cultural e econômico.

Se o poder público não escuta e não estão dispostos a discutir estas questões, o que os artistas pensam em relação a tudo isto?

Até porque em São José do Egito a cultura sempre foi gerenciada por poetas, pela classe de artistas, vejam quem foram e quem são os gestores na Secretaria de Cultura em nossa terra.

Para isto nunca se têm recursos, ou melhor, se desperdiça os recursos já existentes, pois dentro destas “Escolas” poderíamos inserir profissionais como: Psicólogos, Psicopedagogos, Professor de Educação Física que os municípios já têm nos seus quadros, sendo necessário apenas direcionar e proporcionar condições para desenvolvimento de suas atividades dentro destes projetos.

E qual a relação destes profissionais com a cultura? 

A discussão de temas para construção da cidadania em função da vulnerabilidade das famílias, pois temos outros órgãos no município responsáveis pela vulnerabilidade social e desenvolvimento de habilidades culturais, porém não trabalham a promoção cultural.

É necessário que os discursos de campanha eleitoral, se existiram, saíam do papel e comecem a ser trabalhados com o objetivo de construção de uma política de desenvolvimento sócio cultural, onde as velhas práticas de desvalorização da cultura através da manobra de massa passe a fazer parte de um passado sem volta.

Que a cultura passe a fazer parte de um quadro de ressocialização da juventude. 

Para isto não precisamos acabar com as festas de rua, muito pelo contrário, precisamos estimular estes eventos como instrumento de diversão e promoção da cultura e do laser, proporcionando a oportunidade da difusão cultural.

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