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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Motorista derrota o prefeito chefe em Iguaracy. Dessoles comenta.

Com reeleição praticamente garantida, segundo pesquisas que chegaram ao conhecimento do Palácio do Campo das Princesas, o prefeito de Iguaracy, Francisco Dessoles (PTB), foi encontrado trabalhando normalmente em seu gabinete, na última sexta-feira. Perguntado sobre a razão da sua derrota, disse que não sabia explicar. “Nós tínhamos pesquisas que nos davam mais de dez pontos de vantagem, mas resultado de eleição é como sentença de juiz, que não se discute, tem que ser cumprida”, afirmou.

Dessoles, entretanto, acha que foi vítima da crise que atinge violentamente os municípios brasileiros, que se encontram quebrados em sua grande maioria devido aos equívocos provocados pelas políticas discriminatórias da União. “Os municípios estão na lona e são vistos hoje como um problema irresolvível, tanto que mais de 30% dos atuais prefeitos desistiram da reeleição”, acrescentou.

Para ele, o fato de perder uma eleição para um servidor do município, integrante do quadro de recursos humanos da Prefeitura como motorista, não faz nenhuma diferença. “Não podemos discriminar Zeinha por ele ser motorista. Ele tem uma folha de serviços prestados ao município como vereador e também vice-prefeito. Eu o respeito como respeito todos os meus adversários”, afirmou.

Ser prefeito nos dias de hoje, segundo Dessoles, é uma missão desafiadora e quase impossível de ser cumprida. “Falta verba para tudo, as demandas são grandes e acabamos virando um saco de pancadas”, diz. Ele admite que o prefeito eleito conseguiu capitalizar o apoio do eleitor jovem, prometendo festas que ele não conseguiu realizar por falta de recursos, ressaltando que houve uma onda de mudança.

“Zeinha já esteve em meu palanque, já foi meu aliado. Perder eleição é um componente natural da política”, atesta Dessoles. Ele promete fazer de forma mais transparente possível o processo de transição administrativa para o prefeito eleito, mas negou que tenha dado orientações à sua equipe para escalá-lo para o plantão da ambulância no dia seguinte à eleição. “Não me meto em escalas de motoristas. Isso não passa de mais uma grande maldade típica do pós-eleição”, assinalou.


Maciel e a cidadania

Iguaracy reverencia seu filho mais famoso: Maciel Melo, compositor, cantor e poeta dos bons. Na entrada da cidade, o portal destaca “Terra de Maciel Melo”. Recentemente, seu talento e brilho encantaram os brasileiros na novela Velho Chico, em horário na TV-Globo, em que apareceu cantando e tocando. As gravações tomaram o tempo inteiro do artista, mas não impediram que exercesse sua cidadania na terra natal.

“Há muito, não me envolvia em política. Aliás, havia assumido um compromisso comigo próprio de não aceitar gravação e composição de jingles para ninguém, mas abri uma exceção para minha querida cidade”, disse Maciel. Para ele, foi uma emoção muito grande. “Minha família toda se uniu em nome da mudança, representada num caboclo simples, que fala a linguagem do povo”, afirmou referindo-se ao prefeito eleito.

Maciel Melo tem o coração, a alma e o espírito envolvidos na região banhada pelo velho e seco rio Pajeú. Em Iguaracy, onde nasceu e se fez gente, ainda moram seus pais e irmãos, de quem se orgulha muito. “Minhas raízes estão no Pajeú e foi muito emocionante ver nesta eleição um movimento que brotou da força do povo para eleger Zeinha”, ressaltou. O cantor há muito não canta para o seu povo em praça pública, porque o prefeito prefere contratar artistas sem identidade com a cultura local.

Ele, entretanto, diz que seu envolvimento na campanha, depois de 16 anos ausente de palanques, não foi motivado por questões ligadas diretamente às idiossincrasias com o prefeito que o cortou de todas as festividades importantes do ponto de vista cultural no município. “Exerci apenas a minha cidadania, nada mais”, enfatiza.

HISTÓRIA

Primitivamente, o município de Iguaracy era uma área de pastagem conhecida como Logrador, de propriedade de Antonio Rabelo. As terras foram por ele doadas à Igreja, para o patrimônio de São Sebastião, em 1912. O padre Carlos Cottart construiu uma casa, onde celebrava o culto, o que atraiu o comércio e moradores para o local. Em 1914, o povoado era conhecido como Macacos. Em 1948, o nome foi mudado para Iguaraci.

Há diversas interpretações para o nome Iguaraci. Segundo Roberto Harrop Galvão, guaraci em tupi antigo quer dizer “Sol”: guara significa “seres viventes”, e ci, “mãe”. Para os tupis, o sol era uma entidade feminina, a mãe dos Viventes. O nome Iguaraci seria uma diferenciação do município de Guaraci, em São Paulo.

Segundo Plínio Salgado, Iguaraci significa “aurora” (i ou gua quer dizer “água”, e o sol, no Brasil, nasce do lado do mar). Já Tibiriçá argumenta que a palavra é originária de ycuara-assy, que quer dizer “poço pestilento”. (Por Magno Martins)

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