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domingo, 21 de agosto de 2016

Rio 2016: prata na maratona, etíope protesta e diz: "Talvez me matem quando voltar"

Feyisa Lilesa conquistou a prata na maratona da Olimpíada do Rio de Janeiro neste domingo. Em vez de celebrar, o etíope protestou. O gesto na chegada com os braços cruzados erguidos era uma forma de repudiar o governo do presidente Mulatu Tshome e do primeiro ministro Hailemariam Desalegn no seu país, que reprimiu violentamente manifestações. O medalhista teme por sua vida, mas repetiu o gesto na coletiva de imprensa ao explicar de que se tratava.

- Foi um sinal de apoio aos manifestantes que foram mortos pelo governo do meu país. Eles fazem o mesmo sinal lá. Eu queria mostrar que eu não estava de acordo com o que está acontecendo. Tenho parentes e amigos na prisão. O governo está matando o meu povo, o povo Oromo, gente sem recursos. Talvez me matem quando eu voltar. Se não, eles vão me colocar na prisão, se não vão me barrar no aeroporto e me forçar a deixar o país. Talvez eu mude de país. Não decidi - disse Lilesa, aplaudido por alguns jornalistas ao repetir o gesto de protesto.

No início deste mês, dezenas de pessoas morreram em manifestações contra o governo etíope na região de Oromia. Os oromos vêm protestando há meses pelo que consideram uma perseguição injustificada por parte das autoridades etíopes e, até o momento, mais de 400 pessoas morreram desde o início das manifestações, segundo estimativas da organização Human Rights Watch (HRW).

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