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sábado, 27 de agosto de 2016

Blog Novela Pedaços de Tempo - Capítulo Final

Blog Novela Pedaços de Tempo - Por Jefferson Messias
Capítulo Final

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O rosto do Sr. Drazo empalideceu. Tonteou; pareceu que ia cair, mas se recompôs.

- Tenha calma, homem. – disse Dr. Fernam – temos um plano de contra-ataque. Precisamos ir à missa hoje. Mas precisamos primeiro que coloque uma de suas navalhas em seu colete. Ela será sua melhor testemunha.

- Mas por quê?

- Porque o bilhete encontrado por Batista, junto ao corpo enforcado, e que analisamos há pouco, é um recibo em nome de um senhor chamado Juliano, que confirma o pagamento dos serviços de um artesão em metais. Esse artesão é da vila vizinha e você se lembra bem dele.

- Sim. Era de quem eu queria me vingar por ter roubado uma de minhas navalhas preciosas...

- Exato. E esse artesão, o maldito George, foi quem ateou fogo na abadia com o finado Juliano dentro pelo fato de o abade levá-lo às autoridades e convencê-las a expulsar o artesão. Ele deixou a esposa e o filho.

- Mas o que essa história tem a ver comigo e com o falecido Juliano?

- Vá a missa. Leve sua navalha. Lá tudo se resolverá.

- Não estou entendendo bem, irmão, mas confio em suas ações.

Os visitantes subiram outra vez nos cavalos e partiram para organizar o plano. Isso levaria algumas horas, mas poria fim o caso das mortes dos meninos.

Enquanto isso, na abadia, um plano também era preparado. Vamos até lá...

NA ABADIA

- Tudo pronto, mestre. – disse o padre Miguelino para a silhueta a sua frente.

- Ótimo. Com esse veneno no vinho, eu matarei o Sr. Drazo. Você intervirá e fará justiça. Proporá a formação de um pequeno exército liderado por uma prefeitura e se canditará para o cargo. Será meu eu executivo e faremos uma pequena cidade dominado por nossa família, pequeno irmão. O poder estará em nossas mãos. E só foi preciso alguns poucos corpos infantis para isso.

- E quando assumirá o seu retorno dos mortos?

- Como não fui eu quem morri, poderei voltar num momento propício. Talvez hoje mesmo me revele. Vamos fazer os preparativos para a missa.

Deixemos as figuras sombrias cuidarem da missa. Voltemos à taberna.

NA TABERNA MALTRAPILHA

“Algumas poucas horas se passaram. É quase hora da missa. Vou selar o cavalo, pegar a navalha e ir de encontro à Morte!” – pensava Sr. Drazo enquanto bebia uma caneca de café.

E o plano da força policial, como está?

Vamos saber agora. É hora da missa.

NA ABADIA

Sr. Drazo chegou antes de Amice. Entrou na abadia de chapéu na mão e benzendo-se; sentou-se no segundo banco e colocou o chapéu no joelho.

Algumas pessoas começavam a chegar. E ele pensava:

“Como o padre Miguelino poderia me matar com toda essa gente aqui? Duvido que fizesse algo extraordinário e causasse um espanto no povo. Mas não adianta pensar nisso... o mais correto é esperar a ação do meu irmão.”

O sino começou a tocar no mesmo instante em que Sr. Drazo viu Amice entrando com o filho e com Batista. Não se podia negar o alívio no rosto de Sr. Drazo.

Padre Miguelino surgiu um pouco mais nervoso que o habitual. Ninguém notou isso, com exceção de um homem; o Dr. Fernam que estava escondido há horas na cabine da confissão no piso superior da abadia.

Foi de lá também que ele notou um par de mãos queimadas colocar o terço no pescoço do padre Miguelino. Se espremeu para ver quem era; em vão. Isso só seria possível no fim de tudo aquilo. Mas suas suspeitas já estavam confirmadas: padre Miguelino estava seguindo ordens de alguém. Alguém maligno e com sede de poder.

Mas como o médico chegou à cabine sem ser notado pela dupla que arquitetavam um plano de assassinato?

Vamos saber...

ALGUMAS HORAS ANTES

Quando saíram da taberna, Amice foi para a fortaleza da polícia e se armou como pôde. Deu ordens para dois homens irem à paisana à missa e relatou o plano que tinham em mente.

Enquanto isso, Dr. Fernam e Batista foram num só cavalo à abadia. Ouvindo os cascos do cavalo machucarem o chão de terra, as vozes que vinhas do interior da abadia se calaram. Padre Miguelino foi conferir quem chegava enquanto a silhueta se escondia dentro do armário que foi propositalmente colocado ali.

- Prezado Batista. – disse o padre vendo-o descer do cavalo. - que bons ventos o trazem?

Batista olhou para o lado oposto da abadia e viu Dr. Fernam entrando reste a parede e sumir de seus olhos...

- Vim confirmar seu pedido. Dizer que quero meu filho no catecismo e que faça a primeira comunhão com o senhor, que é homem santo.

- Ora, mas que honra. E veio saber quando ele pode começar as aulas dominicais?

- Sim, padre. Foi justamente para saber isso que vim aqui.

- Começou no domingo passado. Mas venha com seu filho à missa de hoje à noite que contará com duas aulas. Assim ele acompanha os outros garotos...

- Amém, padre. Só a proteção divina para cuidar desses meninos. Cada dia mais mortos aparecem. – Disse Batista subindo no cavalo e agradecendo mentalmente a Deus, pois a primeira parte do plano deu certo.

- Amém! – disse o padre erguendo a mão e fazendo uma cruz no ar.

Agora que sabemos, vamos voltar para o desfecho dessa história!

NA ABADIA

A missa acabara.

Todos os fiéis saiam, quando Sr. Drazo sentiu uma mão lhe tocar o ombro. Ele se virou e viu Batista a sua frente.

- Venha. O padre Miguelino quer falar conosco na sala separada da abadia.

- Sobre qual assunto?

- A mim, pouco importa... mas será uma conversa regada a vinho. – vamos.

Amice viu o ex-marido e o Sr. Drazo indo ter com o padre. Fez sinal para seus homens a paisana se prepararem pra ação. Para Amice o padre era o responsável pelas mortes. E ela lutava mais para proteger o filho de ser a próxima vítima que propriamente em prol das famílias destruídas.

Quando chegaram na sala separada, Batista reparou que havia um buraco que dava diretamente na cabine do confessionário. Uma reforma estava sendo feita na abadia e isso ajudaria um bocado.

- Venham meus fiéis. – disse o padre oferecendo uma taça de vinho para os dois que chegavam ali.

- Por que nos chamou para essa conversa, padre? – disse Batista desconfiado.

O padre ficou calado enquanto via os homens bebendo o vinho. Só então respondeu:

- Quero fazer uma proposta para você, Batista. E um pedido para você, Sr. Drazo...

- Continue. – disse Sr. Drazo finalizando seu vinho num grande gole.

- Gostaria que a taberna ajudasse a abadia a fazer um pequeno seminário aqui mesmo na abadia e gostaria, prezado Batista, que o pequeno Frank fosse um seminarista líder. Ele tem um talento que só pode ser divino; e uma compreensão extraordinária da vida.

Acontece, leitor, que o plano do padre e seu mestre era simples. Conseguir recursos para disfarçar o plano de construção da prefeitura e também disfarçar a compra de alguns homens da Lei. O vinho envenenado era pro caso de recusa. Essa primeira taça de vinho estava livre de perigo, mas a recomposições de vinhos nas taças seriam já com o veneno no líquido cor de sangue.

- Eu me recuso a misturar meu negócio com os assuntos sujos da igreja. Sei da podridão e dos sangues que essa capela carrega. Foi construída por homens honrados... eles foram explorados em nome de Deus. E meu pai morreu nessa construção. – disse Sr. Drazo pondo fim à sua resposta.

O padre repôs seu vinho. Pediu a taça, agora vazia, de Batista e esperou a resposta.

- Quero que meu filho seja militar, padre. Tal qual o pai e a mãe.

O padre repôs o vinho na taça de Batista também e entregou as duas taças aos dois homens.

- Eu compreendo. Bebamos em nome da boa amizade e eu garanto que não serão incomodados com esse assunto outra vez.

Porém no instante em que ele iriam sorver o líquido venenoso, ouviu-se dois tiros.

Um dos tirou veio de cima; saiu da cabine do confessionário, passou pelo buraco da construção e acertou a taça do Sr. Drazo. O médico salvara o irmão. O outro veio da janela e acertou a taça de Batista. A ex-esposa o salvara.

Abismado, o padre tentou correr para fora da igreja, mas foi parado por um policial à paisana, que o levou de volta à sala separada da abadia.

Dr. Fernam desceu do piso superior e colocou a arma na cabeça do padre. Gritou para o solo.

- SAIA AGORA, GEORGE, O ATESÃO. OU ESTOURO OS MIOLOS DO SEU QUERIDO PRIMO! EU OUVI SEU PLANO DE ENVENENAR MEUS AMIGOS, POIS SEI QUE ELES SÃO CORRETOS E ATRAPALHARIAM SEU PLANO NO FUTURO!!

Quando ele se calou, um baque de madeira se ouviu. Era uma portinhola sendo aberta. Um porão foi feito ali e um homem de mãos queimadas saiu acuado.

- Como me descobriram e como souberam do plano?

- Eu contei a eles. – disse Frank, entrando na sala. Eu disse que vocês estavam por trás das mortes mesmo sem matar ninguém. Hoje, ao invés de caçar besouros, eu espiei meus pais conversando. E quando eles falaram sobre o plano, eu contei que vocês vinham persuadindo os meninos a se matarem com a navalha roubada do Sr. Drazo. Ele trouxe uma para comparar. Essas são navalhas raras. Duas delas sempre completam um desenho de um dragão. Mas a que foi encontrada pela minha mãe não era a mesma. A prova é que ela não completa o desenho da navalha do Sr. Drazo.

Nesse momento, Sr. Drazo tirou a navalha do colete e pôs ao lado da navalha encontrada por Amice. O desenho era parecido, mas não formavam o desenho de um dragão. Então foi a vez de Amice falar:

- E como o Dr. Drazo fez os exames nos corpos e não constatou violência alguma, soube que se tratavam de suicídio. O único assassinado foi o corpo enforcado. Esse era o filho do artesão George. O mesmo que colocou fogo na abadia há um ano e que descobriu que o seu filho era fruto de uma traição. Matou o próprio “filho” para incriminar o Sr. Drazo, pois ele é a maior economia da vila e poderia ser um poderoso em potencial. Depois que colocou fogo, uma coluna caiu em sua perna. Mesmo ela estando em chamas, você se esforçou para tirá-la de cima de você. E isso explica as queimaduras na sua mão. Você queria assumir a identidade do abade Juliano e “voltar dos mortos” como se tivesse passado muito tempo fora; por isso fez um recibo para si mesmo em nome dele.

Todos estavam abismados.

- “Devo entregar os meninos desta vila a Deus antes que eles firam Seu corpo com pecados! E o próximo será o Frank.” – repetiu Amice – eu quase desmaiei ao ler isso, mas só me controlei pois sabia que tinha visto essa letra em algum lugar. E foi ate a casa do Batista pra tirar a dúvida. Essa inclusão do nome do Frank não é a mesma letra. Foi uma tentativa de me afastar. Mas deu errado também, não é?

Tudo acabou. As mortes parariam. Geroge, o falso Juliano, estava desmascarado e a tentativa de fazer da vila uma cidade sob seu comando chegava ao fim.

Ouviu-se então mais dois tiros. Um na cabeça de Amice e outro na cabeça de Batista. Frank, era um líder nato e uma mente genial já aos onze anos... seu plano deu certo. Ele convenceu o padre e o artesão a usarem armas por baixo da batina, para eventuais planos extras.

Acontece, que Frank desejava a liberdade plena e precisava de segurança para isso. Quando disse ao Sr. Drazo e ao Dr. Frenam que trairia o padre e o artesão por tal liberdade e proteção, eles aceitaram, pois queriam eles, os irmãos, tomarem conta da vila. Mas para matarem Amice e Batista precisariam de um álibi e muita sorte.

E ali estava. Quando os policiais à paisana chegaram para ver o que acontecia na sala da abadia, viu os corpos no chão e correram para render os traídos. Mais uma vez as ideias do pequeno Frank deram certo. Ele havia avisado que os primeiros tiros seriam nas taças de vinho envenenado e que estaria tudo bem, mas no caso de mais tiros, os policiais deveriam ir e prender o padre e o artesão que estariam armados como um plano B. Dito e feito.

O padre e o artesão foram presos como assassinos de Amice e Batista e os irmãos da vila saíram ilesos.

Quando os policiais saíram, Frank deu a ordem para atearem fogo em tudo. Faria uma prefeitura no lugar. O prefeito seria o Dr. Fernam e o vice seria o Sr. Drazo. Ele se manteria nas sombras para levar os meninos daquela futura cidade a Deus.

E o motivo?

Ele agora preferia caçar pessoas a besouros. Simplesmente isso.

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