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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Blog Novela Pedaços de Tempo - Capítulo 4

Blog Novela Pedaços de Tempo - Por Jefferson Messias
Capítulo penúltimo

NA TABERNA MALTRAPILHA

- Então, seu irmão está cuidando dos corpos dos meninos que são encontrados mortos? – disse a voz velha e oca.

- Sim. Vocês ouviram rumores desse caso no outro lado da montanha? – disse Sr. Drazo mostrando interesse e preocupação.

- Um pouco. Dizem ser um assassino rotineiro. Isso preocupa, pois a cerimônia que celebrará um ano da morte do abade Juliano será no próximo domingo. E se esse caso não for resolvido, muitos povoados vizinhos deixarão de vir.

A voz era velha e oca, mas era realista e verdadeira. Isso seria uma mancha para a vila. O Sr. Drazo, comerciante que era, sentia que isso prejudicaria o negócio. Ainda mais se soubessem que um corpo foi encontrado ali naquele chão. Estava ele com esses pensamentos quando ouviu trotes de cavalos na estrada. Foi ver quem era...

Antes de saber quem era, vamos para a abadia que o falecido abade Juliano deixou sob os cuidados do padre Miguelino.

NA ABADIA

- Senhor... eu peço a sua bênção sobre , minha alma impura. Dê-me forças, ó Pai, para seguir no caminho espinhoso que leva ao Teu reino... não me deixe fraquejar; não me deixe descumprir minha missão. Em nome do Pai, do filho e...

- Do espírito Santo. Amém.

O padre Miguelino que rezava ajoelhado sobre um altar de mármore ficou pálido somente ao ouvir aquela voz. Sabia do poder que ela emitia e não ousou olhar para trás, sequer. Seu olhos estavam fixo no crucifixo prateado a sua frente e nas suas mãos entrelaçadas.

- Levante-se! – ordenou aquela voz.

Miguelino levantou tremendo. Será que tinha cometido algum erro na missão? Não! O motivo era outro... mas qual?

O dono da voz começou a caminhar em volta da abadia, contornou o altar de mármore, apagou as velas que estavam ali e parou defronte o trêmulo Miguelino.

Dentro da retina de Miguelino poderia se ver aquela figura: cabelos lisos na altura do ombro, cara toda rapada, com exceção das costeletas largas, olhos cinzas, mãos com cicatrizes de queimadura, corpo alto e completamente enfiado numa batina preta.

- Vim lhe parabenizar pessoalmente. E fazer um pequeno alerta, claro!

- Sim, mestre, eu ouço completamente suas ordens.

- Isso é ótimo. E como eu me mantive ouvindo as confissões em segredo nesse último ano, há uma pessoa que você terá de se livrar. Ela veio se confessar hoje, pois tinha muito sangue alheio nas mãos.

- Dê-me o nome e eu me encarrego de cumprir a ordem da melhor maneira possível, amado mestres.

A figura sombria sorriu metalicamente. Ter salvo a vida daquele jovem padre quando ainda estava no seminário finalmente poderia lhe trazer algum benefício. O desejo de transformar a vila numa pequena cidade e ser o primeiro prefeito lhe dariam poderes maior que estar à frente da igreja.

- Antes de dizer o nome, quero dizer como quero a morte. Você vai fazer o seguinte:

Calma, leitora curiosa! Vamos voltar à taberna e saber quem estava descendo dos cavalos.

DE VOLTA À TABERNA

- Irmão querido. O que te traz de volta com essa cara assombrada? – disse o Sr. Drazo para o Dr. Fernam.

- Estávamos analisando três documentos na casa do meu amigo Batista aqui e viemos te fazer um alerta.

- É caso urgente, irmão?...

- Urgentíssimo! – disse Amice com voz falhada.

O Sr. Drazo pediu um minuto para dispensar o velho da taberna. Disse a esse que poderia levar a caneca como cortesia, pois precisava fechar as portas pelo resto da tarde.

Estando todos a sós, Batista foi o primeiro a falar:

- O padre Miguelino esteve lá em casa hoje. Fui à missa pela manhã me confessar, pois faria algo depois e pedi antecipação do perdão.

- Que coisa nobre. E o alerta é para que eu me confesse também?

- Não. – disse Dr. Fernam – mas quando passei aqui hoje cedo você me contou que se confessou há dois dias, pois iria procurar vingança com certa pessoa.

- Isso é verdade, mas desisti da vingança quando vi o filho dessa pessoa morta na minha taberna...

- Aí é que está. E você disse também que viu um vulto saindo da abadia há um ano... no dia da morte do abade Juliano; lembra-se?

- Sim...

- Pois bem... o que eu descobri das mortes e do bilhete encontrado por Batista e do outro encontrado aqui na taberna por Amice é que nos trouxe aqui. Estão querendo te encriminar dessas mortes.

O pobre Sr. Drazo ficou pasmo. Ele era rude. Mas daí a matar crianças, o abismo era vasto.

- Calma! – disse Amice – Estou liderando essa investigação. O seu álibi é o Batista. No momento da morte do filho da pessoa que você se vingaria, Ele te viu indo para o povoado vizinho com sua carruagem. Supôs que você fosse comprar mais cerveja para a taberna. E estava correto, pois você já se preparava para a cerimônia de um ano da morte do abade Juliano. E foi daí que surgiu a suspeita de que estão querendo te encriminar. Outro fator que te inocenta é a análise dos documento... nos documentos médicos o seu irmão descobriu que o menino não morreu na taberna. Foi trazido depois. E os bilhetes encontrados por mim e por meu mari... e por Batista tem uma informação relevante e que indica como as mortes acontecem e quem será a próxima vítima.

- E quem será?

- Se você for à missa de hoje à noite, será você.

Calma, leitora amiga. Calma, leitor sagaz...
Continua no próximo capítulo!

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