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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Blog Novela Pedaços de Tempo - Capítulo 1


Blog Novela Pedaços de Tempo - Por Jefferson Messias
Capítulo primeiro

- O sangue está ainda morno... este menino teve o seu pescoço cortado há menos de duas horas.

A voz de Amice era tão macia quando analítica. Olhava atenta para o cadáver de um metro e meio no chão de barro batido daquela taberna maltrapilha. O pequeno corpo estava vestido com uma calça marrom e camisa branca. Os pés descalços e, nas mãos, um tufo de cabelo ensebado. Notou uma navalha ao lado do corpo e uma pequena missiva escrita a sangue. Fez menção de pegá-la quando ouviu passos atrás de si; sem se virar, ouviu a voz rouca e arisca:

- É o terceiro só essa semana. O que já descobriu?

- Que é o terceiro da semana, Sr. Drazo. E que é mais um menino entre doze e quatorze anos.

- Então apresse-se em descobrir logo o assassino desses garotos e, por obséquio, tire esse corpo sem vida de minha taberna. Logo chegará uma carruagem com alguns rapazes dispostos a regar seus almoços de cerveja!

Amice se moveu apenas para pegar a missiva e a navalha. Olhou em redor. A taberna era rústica, mas aconchegante; havia peles de diversos animais nas paredes de madeira. Uma mesa longa de carvalho estava posicionada bem perto do fogão de lenha. Desviando o olhar para a direita viu dois tamboretes cobertos com sacos velhos e uma pequena mesa feita com latas empilhadas. Voltou o olhar para a esquerda e o parou diante daquele homem áspero. Ele tinha herdado a taberna do pai há dois anos e ainda não tinha conquistado a freguesia como o pai fizera. Aquelas mortes ali tinham muito a ver com isso. O Sr. Drazo era de uma ética maleável; corpo robusto por trabalhar sempre no pesado e com roupas sempre gastas, olhos miúdos e nariz largo. Sua cara era magra e sustentava uma barba castanha. Já no topo da cabeça havia sempre um chapéu roto escondendo o cabelo ensebado. Menos este, que estava noviço demais para...

- O que tanto olha, senhorita?...

- Nessa prateleira atrás de você... são navalhas?

Ele se virou para a prateleira ao lado da janela e confirmou com a cabeça.

Ela foi até lá e sem dizer uma palavra observou por alguns minutos. Depois, ainda muda, saiu da taberna pela porta da frente.

Antes de vê-la sair completamente, Sr. Drazo perguntou sobre o corpo. Ela apenas apontou para a carruagem que estava na estrada. Era uma carruagem policial e dois homens saíram dela para se encarregarem do corpo.

Era próximo do almoço. Os homens foram rápidos e precisos. Depois todos sumiram dali deixando a taberna pronta para receber seus usuários mais pífios.

Amice chegou em sua casa e tirou do bolso a navalha e a missiva. Lavou aquela e leu esta.

Sua cara de espanto teria feito você, pobre leitor, nunca desejar saber o que ali estava escrito. Mas como eu conheço a frágil curiosidade humana, direi para todos.

No entanto, será só no próximo capítulo.

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