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quinta-feira, 21 de julho de 2016

Dilma diz ter "dificuldade" maior no impeachment que em luta contra o câncer

A presidente afastada, Dilma Rousseff, comparou, em entrevista a uma rádio na manhã desta quinta-feira (21), o processo de impeachment com o tratamento de um câncer a que foi submetida e também às torturas sofridas quando foi presa política na ditadura militar.

Dilma disse que "em nenhuma dessas vezes" sentiu "tamanha dificuldade como agora", ao afirmar que o impeachment é uma "injustiça" cometida no regime democrático e que ela está sendo julgada por um "não crime".

"Na minha vida toda eu lutei em várias circunstâncias difíceis. Eu lutei na ditadura, e aí obviamente eu acho que para qualquer um dos brasileiros e brasileiras que foram torturados, a tortura é talvez um dos limites da degradação humana. De quem faz [a tortura], mas também é muito, mas muito, ruim pra quem sofre. E eu também enfrentei um câncer", disse Dilma.

"Agora te digo o seguinte: em nenhuma dessas vezes eu senti tamanha dificuldade como agora", afirmou a presidente afastada.

Dilma fez as afirmações ao responder como se sentia no plano pessoal a um dos entrevistadores da rádio Pampa, do Rio Grande do Sul.

A presidente se submeteu com sucesso a um tratamento contra câncer em 2009, quando era ministra-chefe da Casa Civil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na época da ditadura (1964-1985), Dilma integrou movimentos clandestinos de combate ao regime militar, tendo sido presa e torturada.

Hoje, ela é alvo de um processo de impeachment no Senado que a acusa de ter executado práticas financeiras ilegais. A defesa da presidente no processo diz que não há irregularidades nos fatos apontados na denúncia.

Na entrevista, Dilma também criticou o jornal "Folha de S.Paulo" por não ter divulgado, em um primeiro momento, o resultado de pesquisa Datafolha que apontava que 62% dos brasileiros são a favor de novas eleições para a Presidência da República.

"Nunca comentei pesquisa, mas fico indignada diante dessa distorção. Como que não é importante saber o que a população brasileira acha?", questionou Dilma. O editor-executivo do jornal, Sérgio Dávila, afirmou que a decisão de não publicar o resultado dessa pergunta da pesquisa foi tomada porque a realização de novas eleições, na prática, não é provável no atual cenário político.

A convocação de um plebiscito por Dilma, caso ela volte ao governo, para definir sobre a realização de novas eleições tem sido cogitado como um dos argumentos para convencer senadores a barrar o impeachment. Hoje, a única possibilidade jurídica de novas eleições seria se a petista e o vice-presidente e atual presidente interino, Michel Temer, renunciassem aos cargos. (UOL)

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