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domingo, 17 de abril de 2016

Passeata contra a perseguição ao movimento sindical será realiza nesta terça (19)

Companheiros e companheiras,

A atual Diretoria do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco – SINPOL/PE assumiu a entidade no fim do ano de 2014 com o compromisso de resgatar e lutar pelas bandeiras da categoria, bem como por uma Segurança Pública profissional e de qualidade para todos os cidadãos pernambucanos.

Durante todo o ano de 2015 o SINPOL dialogou com o povo pernambucano expondo a grave situação estrutural, de salários e de efetivo da Polícia que investiga e soluciona os crimes, alertando os gestores públicos que da forma como estava sucateada, mal aparelhada, mal remunerada, mal preparada e com baixíssimo efetivo, a Polícia Civil não conseguiria dar conta de investigar a crescente onda de criminalidade que voltou a assolar Pernambuco.

Mostramos que com a atual estrutura, com a total falta de efetivo, não poderíamos atender ao povo da forma como ele merece e de acordo com as altas taxas e impostos que deveriam subsidiar serviços públicos de qualidade em TODAS AS ÁREAS. Pedimos a interdição de “delegacias” e “institutos” que não tinham as mínimas condições de abrigar qualquer serviço público, fosse para o policial, fosse para a população, ainda mais no momento em que as pessoas estão tão fragilizadas após serem vítimas de crimes.

Expusemos a crescente taxa de homicídios, roubos a banco, a violência no transporte coletivo, às mulheres, às minorias sociais. Solicitamos a imediata revisão do falido Pacto Pela Vida, participamos de debates e audiências públicas na Assembléia Legislativa, em faculdades, escolas, em várias Câmaras de Vereadores de todo o Estado, fizemos inúmeros atos públicos, passeatas, sempre informando que a crescente violência não era culpa dos (poucos) policiais civis e sim da falta de gestão e compromisso dos governantes com a segurança do nosso povo.

Fizemos as críticas não pelo prazer de criticar, muito menos por uma eventual divergência político-partidária, mas compelidos pela responsabilidade social de quem tem por obrigação funcional zelar pela vida do cidadão, inclusive, arriscando a nossa própria. Apontamos os erros e os gargalos que, infelizmente, acarretaram na perda de inúmeros pernambucanos. Fomos duros e incisivos no trato com a coisa pública, e cobramos, como não deixaremos de fazer, que os “gestores” cumprissem seu papel e governassem de acordo com as necessidades e interesses da sociedade.

Por toda essa atuação, que é obrigação de qualquer movimento sindical sério e comprometido com sua classe e com o povo, estamos sendo perseguidos pelo órgão do Governo que deveria se preocupar em identificar e punir os policiais que se desviam e não tentar a todo custo calar àqueles que estão lutando por melhores condições para atender a população.

O presidente do SINPOL, Áureo Cisneiros, o Vice Rafael Cavalcanti, o Secretário Geral Douglas Lemos, o Diretor Financeiro Tiago Batista, além dos diretores Benoni Ozório, Manuel Umbelino e Roseno Pereira, estão sendo processados ou até já foram punidos por essa atuação crítica, mas extremamente responsável na exigência de direitos mínimos para os policiais e para o povo.

Chegou-se ao absurdo de serem processados por motivos diversos, tais como: orientar os policiais a não participarem de operações sem que o Estado fornecesse coletes à prova de balas ou pagasse as diárias antes das atividades; por pleitearem direitos constitucionais como o pagamento de horas-extras e adicional noturno; por criticarem o Pacto Pela Vida no facebook; por mostrarem as péssimas condições do IML, de delegacias, e demais institutos; por se recusarem a realizar procedimentos que eram inerentes a outros cargos; por combater a usurpação de função, quando o Estado coloca não-policiais para trabalhar nas delegacias.

Contudo, é importante ressaltar que as perseguições não se restringem aos policiais civis. Os professores estaduais, quando da greve do ano passado, foram igualmente perseguidos. Aqueles que aderiram ou incentivaram o legítimo e sagrado direito de greve foram afastados das direções das escolas, outros tantos transferidos, os contratados ameaçados de demissão. Com os servidores do Detran e da Saúde o mesmo procedimento de oprimir e tentar calar as justas reivindicações. Chegou-se ao ponto de que um soldado da PM teve sua demissão pedida simplesmente por gravar um vídeo afirmando não se sentir seguro nem preparado para enfrentar a bandidagem, só escapando da demissão por intervenção política de Brasília.

Por isso o que estamos vendo em Pernambuco é uma tentativa de regresso aos nebulosos tempos onde quem pensava diferente dos mandatários e detentores do poder era brutalmente silenciado. Essas práticas via Corregedoria Geral de Polícia, via demais órgãos correcionais, via Judiciário, são uma afronta e uma ameaça aos direitos fundamentais conquistados e garantidos com o sangue de nossos companheiros e companheiras que deram a vida para que alcançássemos um Estado onde os pensamentos e as vozes fossem livres, principalmente quando tais vozes sevem para buscar justiça e para mostrar a realidade de trabalhadores e os porquês de tanta insegurança em nosso Estado.

Não querem calar apenas o SINPOL. Querem calar a todos os movimentos sociais e sindicais. Se não houver um levante contra essas tentativas fascistas, talvez seja tarde quando tentarmos reagir.

Por isso convidamos os estimados companheiros e companheiras a engrossarem nossas fileiras na passeata que será realizada no dia 19.04.2016, às 9h, partindo da Praça Oswaldo Cruz (Praça da FUSAM), Recife-PE, para marcharmos contra as práticas antidemocráticas do Governo do Estado de perseguir os policiais civis, de perseguir os servidores públicos, de querer calar o movimento sindical.

Rafael Cavalcanti
Vice-Presidente

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