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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Mosquitos coloridos são liberados e assustam população

Mosquitos Aedes aegyptigeneticamente modificados nas cores azul, laranja, rosa e amarelo começaram a ser soltos nesta semana, em Piracicaba (SP). A medida, que não foi comunicada com antecedência, assustou moradores da cidade. A prefeitura, entretanto, ressaltou que as cores foram utilizadas para determinar o tempo de sobrevida do mosquito, que não pica pessoas e nem transmite doenças.

Conhecido como 'Aedes do Bem', o experimento é feito na cidade desde abril de 2015 e tem o objetivo de tornar os mosquitos, utilizados para combater a disseminação da dengue, zika e chikungunya, mais resistentes.

Moradores do bairro Cecap, onde são liberados os mosquitos transgênicos, foram os primeiros a se depararem com as espécies coloridas. "Estávamos sentadas conversando, minha filha e eu, quando um dos mosquitos sentou no braço dela e ela matou. Quando ela olhou para ver se era da dengue, percebeu que ele era rosa e ficamos intrigadas. Começamos a observar os demais e vimos que eles também eram coloridos", conta Ângela Cristina Toledo, moradora no bairro.

Ela fotografou os mosquitos e publicou nas redes sociais. Em pouco tempo, dezenas de moradores fizeram o mesmo, alguns deles expressando preocupação sobre o assunto. "Exatamente por esse motivo tirei as fotos. Fiquei apavorada, sem saber do que se tratava", disse.

A prefeitura da cidade e a empresa Oxitec, responsável pela produção dos mosquitos, divulgaram uma nota explicando os motivos das diferentes colorações. Segundo a prefeitura, os mosquitos não trazem nenhum risco.

"É importante relembrar que os mosquitos coloridos são os mesmos machos do Aedes do Bem que vem sendo liberados desde 30 de abril de 2015, ou seja, não picam e são totalmente seguros", afirma a nota.

O biólogo Carlos Fernando Salgueirosa de Andrade, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e especialista em controle de insetos, explica que a medida é altamente necessária. "Trata-se de uma marcação muito utilizada em pesquisas. Não traz qualquer problema para a população e é essencial para se determinar a eficiência desse tipo de iniciativa", disse.

Os mosquitos, marcados com pó colorido, são liberados e depois recapturados para contagem. Com cores diferentes, é possível fazer uma estimativa da população marcada em relação à que não tem marcação e estimativa de tempo de vida.

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