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sábado, 12 de março de 2016

Saudades das antigas Festas Universitárias na capital da poesia


Por Tarcizio Leite - Colunista do Mais Pajeú

A Associação Cultural de São José do Egito, entidade promotora da Festa Universitária, é uma entidade que tem uma história de lutas em prol da cultura popular na terra da poesia.

Falar da origem da festa universitária é falar da luta pela Democracia, pela união de classes e da cultura deste sertão pajeuzeiro, como dizia Zé Marcolino.

Não esquecendo de seus fundadores, como Zé Augusto, Antonio José de Lima, Gilberto Rodrigues, Olga Brandão e tantos outros estudantes que na época encontravam-se em Recife lutando para estudar.

Falar da Festa Universitária é lembrar Otoni Rodrigues, atração que esteve presente a esta festa por muitos anos com o carro da Pitú, promovendo cirandas, brincadeiras infantis e tantos outros eventos dentro da Festa.

É reviver a história dos Bacamarteiros, que sempre teve como líder o nosso grande Rafael Marçal, do Boi de Severo, da Banda de Pífano de Riacho do Meio, da Ciranda na rua da baixa, das Exposições de artes, das palestras e conferências no salão paroquial da Igreja São José.

É contar a história do Teatro Skulacho apresentado no Cinema de seu Chico Silva através de Ednaldo Leite, hoje odontólogo, do saudoso Flávio Lira e Luisinho Gomes, dentre outros personagens desta história.

É contar a história da Boite Universitária que acontecia da abertura da festa até quinta-feira no então Bambuzinho, onde hoje é a Câmara Municipal de Vereadores, com os artistas da terra que na maioria das vezes, tinham como cachê o apurado da portaria. 

Dos bailes no clube hotel que aconteciam na sexta-feira e no sábado, onde a Associação Cultural arrecadava recursos para bancar despesas da Festa que ia da Terça-feira ao domingo com atrações de manhã, a tarde e à noite na rua da baixa, no Estádio Municipal Francisco Pereira e em vários outros recantos de nossa cidade.

É lembrar de Lourival Batista, Jó Patriota, Ismael Pereira, dentre outros cantadores que sempre se fizeram presentes na Abertura da Festa Universitária, assim como do Professor José Rabêlo de Vasconcelos, além de Zeto e outros artistas.


Aqui temos ainda uma figura ilustre que se chamava Socorro de Carrinho, que cozinhava no então Grupo Oliveira Lima, para todos os grupos que vinham a São José do Egito se apresentar, pois naquela época eles não eram hospedados em hotel de luxo, dormiam em colchões na sede da Associação Cultural, nas escolas, e estes eram emprestados pelo Batalhão da Polícia Militar de Pernambuco em São José do Egito, além de alguns que a Associação Cultural tinha, sem contar que não recebiam cachê, vinham apenas pelo transporte e alimentação.

Era uma festa cultural onde as pessoas vinham fazer cultura e não ganhar dinheiro. Esta também é uma grande diferença de época.

Não podemos esquecer dos grupos de danças, de capoeiras, das bandas de fanfarras que se apresentavam na abertura dos jogos no Estádio Municipal Francisco Pereira.

Dos desfiles e apresentações que aconteciam na quadra do Ginásio São José e dos Festivais de violeiros na AABB local.

Não tínhamos bandas famosa como hoje, mais tínhamos a cultura viva na praça pública apresentada pelos nossos artistas e pelos grupos que vinham de Recife, Campinha Grande, Serra Talhada e outras localidades que abrilhantavam a festa universitária, e assim era feito o intercâmbio cultural.

Mais a Associação Cultural nunca foi só festa, e sim, também representava a luta por ideais.

Por isto sempre procurou trazer excelentes palestrantes, cursos de artesanatos, dentre outros e promoveu até minicursos para vestibulares.

Preocupada com os destinos dos nossos jovens, que na época não tinha onde ficar em Recife para estudar, além da Casa do Estudante de Pernambuco, lutou e conseguiu a Casa de Estudante de São José do Egito em Recife.

Lutou pela Liberdade Democrática e pela União das Classes, introduzindo o homem do campo, através dos bacamarteiros, da banda de Pífano, das Jecanas na festa universitária, promovendo a socialização e o intercâmbio cultural.

Ao término de cada festa, tinha toda sua história contada em álbuns e quadros de fotografias confeccionados por Jaquinho e expostos em sua sede, além de fitas K7.

Hoje a festa tem um caráter diferente, pois não poderia ser igual, até mesmo pelas mudanças de comportamento da sociedade e pelas mudanças de caráter político, cultural, onde os objetivos mudaram acompanhando as transformações sociais.

Portanto, quero aqui parabenizar aos idealizadores, sócios fundadores, Ex-Presidentes e a todos os que fizeram e que fazem parte desta entidade, além das pessoas que já se foram e que contribuíram para promoção e divulgação de nossa cultura.

Quero também parabenizar a todos os que lutam para manter viva a Festa Universitária.

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